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Origem
A Aldeia Fundeira é uma aldeia serrana de gente afável, hospitaleira, onde existe um convívio são.
Não temos dados concretos sobre a sua origem. Há apenas a certeza que ela é já bastante antiga pois em 1826 já pertencia à freguesia de Pampilhosa da Serra.
Os habitantes mais velhos da nossa aldeia, e das vizinhas, supõem que o seu nome tenha origem no facto de existirem três aldeias próximas, mas situadas a três níveis diferentes de altitutude, sendo a Aldeia Cimeira a mais alta, a Aldeia do Meio a intermédia na encosta e, a Aldeia Fundeira a situada mais abaixo.
Ao conjunto das três, costumam chamar “ As Aldeias “ e devido à sua proximidade, tanto física como cultural e familiar, foram criando ao longo dos tempos, laços de grande amizade, cooperação e convívio.
A Aldeia Fundeira pertence à freguesia de Pampilhosa da Serra e fica situada entre o Rio Unhais, o Cabeço do Vale de Pereiras (772 mtr.) e o Cabeço do Vale Serrão (794 mtr.) e dista da Pampilhosa da Serra cerca de 7 Km.
Para lá chegarmos podemos faze-lo pelo E.N. 344.
Tem uma paisagem maravilhosa, avistando-se no horizonte várias serras, de entre elas a da Lousã. A vegetação é constituída por mato alternando com pinhal, ervedeiros, eucaliptos, acácias, oliveiras e algumas árvores de fruto, em hortas perdidas nos socalcos da montanha.
Junto da Aldeia podemos ainda encontrar vastas áreas de cultivo, apresentando o solo uma cor acastanhada, bastante fértil, onde predominam oliveiras, cerejeiras, figueiras, videiras e outras árvores de fruto.
Podemos desfrutar das águas límpidas e cristalinas do Rio Unhais, e das suas piscinas naturais, como o Preles, o Picoto e a Foz-Carvalho.
Presentemente habitam na Aldeia Fundeira durante quase todo o ano cerca de 30 pessoas mas no verão, com as férias, a população chega a ultrapassar as 150 pessoas.
Os naturais da Aldeia, na sua maioria, deixam alguns dias das suas férias para se libertarem do stress da cidade, e aproveitarem o ar puro e a boa água que ela tem para oferecer. Um bom exemplo disso, é a Mina do Vale do Cão, que é uma nascente de água fresca e pura de passagem obrigatória. Para aqueles que não gostam apenas de água, podem aproveitar para beber uma taça de vinho na Adega do "Vale do Cão" do Tio Rabaças.
Usos e Costumes Na Aldeia Fundeira todas as famílias tinham gado, ovelhas e cabras, e do seu leite produziam queijo.
Diariamente o gado era levado para os pastos circundantes onde pastavam muitas vezes em conjunto.
Os pastores, geralmente muito novos, reuniam-se no Terreiro das Seladas para brincarem à bilharda, às escondidas, ao pião, à barra do lenço, etc.
Praticamente todas as famílias tinham um pátio em suas casas, onde os porcos eram engordados, com batatas e verduras provenientes das hortas e cozinhadas nas panelas, ao calor das lareiras.
Diariamente eram roçados um ou mais molhos de mato, para serem colocados nos pátios e currais, onde os animais eram guardados. Os seus excrementos, juntamente com o mato (estrume) eram usados como adubo para fertilizarem as terras.
Nas encostas circundantes onde houvessem terras férteis e hortas, não ficava um palmo de terra por cultivar, pois onde não podiam ir os burros ou as juntas de bois (quem os tinha), ia o braço do homem com a enxada ou ancinho.
As culturas dominantes eram as da vinha, batatas, milho, feijão, couves, e centeio. Fazia-se depois as vindimas e fabricava-se o vinho caseiro; apanhava-se o medronho e fabricava-se aguardente; apanhava-se a azeitona e fabricava-se o azeite; apanhava-se e secava-se a castanha e fazia-se a exploração das colmeias.
Devido à extensa mancha de pinhal, existiam na Aldeia Fundeira os resineiros e madeireiros que faziam a apanha da resina e a limpeza e abate do pinhal.
Existiam artesãos que vieram alcunhar algumas famílias; o «ferreiro» que em forja primitiva aquecia e malhava o ferro para moldar as ferramentas necessárias aos vários trabalhos (ancinho, enxada, sacho, machado, roçadoura, etc.); o «sapateiro» que faziam os tamancos e sapatos de brochas; o «ferrador» para substituir os canelos dos bois e as ferraduras dos burros; o «carpinteiro» para substituir as tábuas do sobrado ou caibro podre do telhado, fazer portas ou janelas; e os «pedreiros» para a construção de casas, muros e currais. A matança do porco juntava os homens da aldeia que o desmanchavam, e colocavam as carnes em salgadeiras (única forma de conservar as carnes durante o ano); as tripas eram lavadas no ribeiro pelas mulheres para fazerem os enchidos.
Tradições O isolamento da Aldeia Fundeira, e das vizinhas, contribuiu para a formação de comunidades muito unidas, onde as pessoas se entreajudam e se estimam como numa grande família.
Bons exemplos dessa proximidade, e organização comunitária, são as marcações para:
- moerem o milho, nos vários moinhos de água, como o do Povo ou o do Pisão. - cozerem a broa no forno. - desfazerem a azeitona no lagar. - fazerem a aguardente no alambique.
Quando alguém adoecia lá estavam os vizinhos sempre prontos a ajudar e a contribuir com as suas "mesinhas".
As pessoas mais necessitadas andavam à jorna, a troco de alguns vinténs ou de géneros.
Na época da apanha do milho era habitual as pessoas juntarem-se para fazerem as desfolhadas e as debulhas. Aí aproveitavam para contar histórias, tocar, cantar e dançar.
Ao fim-de-semana, a juventude pedia o sobrado para fazerem o baile e chamavam a juventude das aldeias vizinhas, através do toque do corno.
As Aldeias são famosas pela sua mestria na dança, cantata e tocata. As modas mais conhecidas eram entre muitas o «Vira Mandado», o «Marcadinho», a «Raspadinha» e o «Fado Mandado».
Pela Páscoa, o Padre visitava todos os lares, para dar o Menino Jesus a beijar, desejar as boas festas e recolher as oferendas (amêndoas, bolos, dinheiro, etc.).
Queimava-se o mastro no S. João e pela Estrada da Lomba, Vinha e Eira, acendiam-se carreiras de pinhas. No dia de Todos os Santos, juntavam-se novos e velhos, num magusto regado com muito vinho tinto.
No Natal e Ano Novo reuniam-se todos numa fogueira ao ar livre no centro da Aldeia. No fim do ano, os jovens cantavam as “Janeiras” pela Aldeia.
Evolução Demográfica
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